One bearer certificate  of  the:"Banco Pelotense ", single certificate of one  shares  of 200$000 Reis 1920 Brazil .Condition (opinion): Fine (F).Stains.See scan.Printer: Lith Guarany, Pelotas. Size:29,6 cm 27 cm (medium) .Uncancelled .Two hand signatures including director the coronel Alberto R. Rosa. Use this picture for reference only, serial number may be different.

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Banknote Grading

UNC 
AU 
EF 
VF 
F 
VG 
G 
Fair 
Poor 
Uncirculated 
About Uncirculated 
Extremely Fine 
Very Fine 
Fine 
Very Good 
Good 
Fair 
Poor 

Edges

no counting marks 
light counting folds OR... 
light counting folds 
corners are not fully rounded 
much handling on edges 
rounded edges 

Folds

no folds 
...OR one light fold through center 
max. three light folds or one strong crease 
several horizontal and vertical folds 
many folds and creases 

Paper

color 

paper is clean with bright colors 
paper may have minimal dirt or some color smudging, but still crisp 
paper is not excessively dirty, but may have some softness 
paper may be dirty, discolored or stained 
very dirty, discolored and with some writing 
very dirty, discolorated, with writing and some obscured portions 
very dirty, discolored, with writing and obscured portions 

Tears

no tears 
no tears into the border 
minor tears in the border, but out of design 
tears into the design 

Holes

no holes 
no center hole, but staple hole usual 
center hole and staple hole 

Integrity

no pieces missing 
no large pieces missing 
piece missing 
piece missing or tape holding pieces together

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Some information from the web.:

Fundação

Os pecuaristas e charqueadores gaúchos que, no início do século XX se concentravam principalmente em Pelotas, sentiam necessidade de uma instituição bancária que garantisse recursos financeiros para suas atividades, uma vez que os bancos então existentes preferiam direcionar financiamentos para o comércio e para a iO controle acionário ficou em poucas mãos. Dos principais acionistas, Plotino Amaro Duarte foi diretor do banco ao longo de toda a sua história, e o coronel Alberto Rosa desde a fundação até sua morte, em1923, tendo à frente o Barão de Arroio Grande e o senador Joaquim Augusto de Assunção.Em 1906, conseguiram juntar três mil contos de réis como capital inicial do empreendimento, com o apoio de comerciantes e profissionais liberais. A 5 de fevereiro, em assembléia solene num clube local, foram aprovados os estatutos do banco e no dia 15 iniciaram-se efetivamente suas atividades.


O banco começou a funcionar em sobrado de propriedade do diretor Plotino, onde antes funcionava sua casa de câmbio. Também foram cedidos pelo diretor os dois primeiros funcionários da nova instituição.


Assegurado o controle pelos incorporadores, as ações remanescentes foram subscritas, individualmente em pequenas quantidades, por um grande número de subscritores, espalhados por várias cidades gaúchas, com destaque para Porto Alegre. Até mesmo instituições beneficentes adquiriram ações: a Santa Casa de Misericórdia e a Beneficência Portuguesa de Porto Alegre se tornaram grandes acionistas, com cerca de cinco mil papéis em conjunto.

Expansão

No ano de sua fundação tinha a matriz em Pelotas e uma filial em Rio Grande, em 1907 se expande até a cidade de Uruguaiana, em1909 para Porto Alegre, 1910 para Alegrete e em 1911 Bagé. No ano de 1912 dá um salto, abrindo agências em oito cidades: Caxias do Sul, São Gabriel, Itaqui, São Borja, Cruz Alta, Santa Vitória do Palmar, Alfredo Chaves, Bento Gonçalves e Dom Pedrito.

Em 1913, o banco continua se expandindo pelo interior do Rio Grande do Sul, abrindo a filial de Quaraí, em 1914 em Estrela, e em 1916 em Cachoeira do Sul e em Santa Cruz do Sul. No ano de 1918 abriu agências em mais cinco cidades: Passo Fundo, Santa Maria da Boca do Monte, São Vicente do Sul, Rosário do Sul e Novo Hamburgo. A partir de então, passa a uma fase de maior expansão, com filiais inclusive fora do Estado: no ano de 1919 passa a funcionar no Rio de Janeiro.


Em 1920 se expande até Belo Horizonte, Ponta Grossa, Juiz de Fora e Rio Novo. Em 1922 Curitiba e nos dois anos seguintes Jaguari,Ponte Nova e Ijuí. No ano de 1928 em Erechim, e por fim em 1929 abre mais três filiais nas cidades de Lajeado, Montenegro eGuaporé.


Para instalar as agências bancárias, foram construídos prédios imponentes que contrastavam com as construções simples das pequenas cidades gaúchas e causavam admiração. Isso fazia parte de uma estratégia da diretoria, com o propósito de passar aos possíveis clientes uma idéia de pujança e riqueza, mas que resultou em grande endividamento, fatal para o banco.


O Banco Pelotense incorporou ainda dois outros bancos. Como um deles fosse constituído com capitais franceses, durante algum tempo manteve um escritório em Paris.


Paralelamente, foram instaladas agências menos requintadas em regiões de colonização alemã e italiana. Com essa estratégia inovadora e pioneira, os imigrantes superaram sua aversão a bancos e levaram suas economias para o Pelotense.

Em 1916, após três anos de obras, a matriz do banco passou a funcionar em nova e também suntuosa sede.

Dificuldades financeiras

A excessiva concentração do patrimônio em imóveis (imobilização), com a consequente perda de liquidez, foi uma delas. O banco havia se transformado numa grande imobiliária. Na década de 1970 foram encontradas na sede do Banrisul, em Porto Alegre, centenas de certidões de registro de imóveis rurais no Paraná, cujas áreas, somadas, chegavam a cem mil hectares.Um conjunto de causas contribuíu para levar o Banco Pelotense a enfrentar dificuldades financeiras, que culminaram com sua liquidação.


Creditam-se também os problemas ao gigantismo do banco, que se expandiu de forma a dificultar sua administração, numa época de sistemas de comunicação precários.


Também influiu o estreito relacionamento com o Governo Estadual. O banco obteve algumas vantagens com esse relacionamento, pois se tornou agente financeiro do Estado e fez empréstimos para importantes obras públicas. Mas, por outro lado, incorporou a seu patrimônio uma grande quantidade de títulos da dívida pública de difícil resgate. Também ficou a mercê de ingerências políticas, como a pressão de Borges de Medeiros para que socorresse pecuaristas endividados com a queda do preço do boi em consequência daPrimeira Guerra Mundial.


A situação se tornou difícil com a subida de Getúlio Vargas ao poder. Getúlio tinha razões para não apoiar o Banco Pelotense. Em 1921, seu sogro, Antonio Sarmanho, gerente do banco em Uruguaiana, suicidou-se, em razão de irregularidades apuradas na agência. Apesar do problema ter sido causado por um funcionário subalterno, Sarmanho sentia-se pressionado pela diretoria do banco. Em consequência, Getúlio e sua família retiraram os depósitos que mantinham na instituição.


Mas a grande causa de dificuldades do Banco Pelotense foi a decadência da indústria do charque, que concentrava a maioria dos depósitos e financiamentos. Primeiro, enfrentou a concorrência do produto argentino e uruguaio, com qualidade e preços melhores; depois da carne frigorificada. Frigoríficos estrangeiros (como o Swift) instalaram-se no Rio Grande do Sul e desbancaram de vez o charque. A quase totalidade das contas correntes dos pecuaristas e charqueadores registrava, desde o início da crise, saldo negativo.

Essa situação levou os acionistas controladores a elaborarem dois planos, um para recuperação do banco, com aporte de capital e ajuda financeira do Estado, outro prevendo sua liquidação. A primeira proposta não encontrou receptividade por parte de Getúlio e de seu sucessor, Flores da Cunha. Já então Getúlio, vitorioso na Revolução de 1930, era Presidente da República.A partir de 1926, o Banco Pelotense entrou em descrédito e passou a sofrer freqüentes corridas aos caixas de seus apreensivos depositantes. A falência do Banco Popular do Rio Grande do Sul, em 1930, levou o Banco Pelotense sofrer a maior delas. Mesmo superada, levou grandes depositantes a encerrarem suas contas.Liquidação[editar | editar código-fonA liquidação ocorreu em janeiro de 1931, um mês antes de o banco completar seu jubileu de prata (25 anos). A notícia colheu de surpresa até mesmo a imprensa gaúcha. Agências do banco tiveram que ser protegidas por forças militares para evitar depredação.

Banrisul, o sucessor[editar | editar código-fonte]

Fundado em 1927, as instalações do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, depois conhecido por Banrisul, limitavam-se, em 1931, a algumas salas do prédio da Secretaria da Fazenda do Estado, em Porto Alegre. Alcebíades de Oliveira era seu presidente.


Alcebíades havia sido funcionário e diretor do Banco Pelotense. Em 1921, quando do suicídio do sogro de Getúlio, foi ele que a diretoria do banco mandou a Uruguaiana para apurar a situação da agência. Alcebíades manteve vários contatos com Getúlio e ganhou a simpatia deste ao acertarem condições para a cobertura do prejuízo por mero acerto contábil, com pouco desembolso em dinheiro. Isto certamente lhe valeu o convite para dirigir o recém fundado banco estadual.


A liquidação do Banco Pelotense, ainda que não tenha sido provocada para atender aos interesses do BANRISUL, certamente lhe foi muito propícia, pois saiu de suas modestas instalações para ocupar as suntuosas agências do banco liquidado.

Reflexos da liquidação[editar | editar código-fonte]

A liquidação trouxe um longo período de estagnação econômica para a Pelotas e outras cidades onde o Banco Pelotense tinha presença predominante. Isso contribuiu para que, até os dias de hoje, os pelotenses relutem em aceitar suas causas reais, de caráter econômico e financeiro. Preferem atribuir o fim do banco a uma "vingança do Getúlio" e refutam a afirmação de que o banco não tivesse mais condições de funcionar.


Difundem a versão de que o banco poderia ter sido salvo com um empréstimo do Estado pelo prazo de quinze dias, quando então poderia ser resgatado com a transferência dos excessos de caixa das agências espalhadas pelo país. Segundo esta versão, o empréstimo já havia sido autorizado, o dinheiro correspondente separado e contado, mas a última hora houve ordem para que não fosse efetivado.

Essa versão popular é desmentida pelo historiadores. Nicanor Letti registra que a liquidação foi uma alternativa apresentada pelo próprio banco e que Flores da Cunha condicionava o reerguimento do banco à existência de máximas garantias, para não parecer uma fantasia perigosa ou uma tentativa condenada a irremediável fracasso.


A versão popular é, no entanto, propagada por líderes políticos. Irajá Rodrigues, prefeito de Pelotas em dois mandatos, afirmou, em entrevista, que as medidas de liquidação haviam sido tomadas por atos de exceção. Em discurso na Assembléia Legislativa do Estado (1996), o deputado Pompeo de Mattos afirmou que a ajuda do Estado ao Banco Pelotense seria um dever, mas o Estado preferiu impor seu tacão, por motivações de ordem política e pessoal.


Mesmo depois da liquidação os pelotenses continuaram a guardar em lugar seguro as ações do banco, como se ainda tivessem algum valor. Essas ações passaram de pai para filho, por gerações.Alguns pelotenses ainda consideram viável a restauração do banco. Ao longo do tempo, vários grupos e entidades foram constituídos para esse fim, dirigidos e formados por várias pessoas que sequer eram nascidas quando o banco foi liquidado.


A esperança dessas pessoas sustenta-se num fato ainda dependente de confirmação: o de que parte do antigo patrimônio do Banco Pelotense ainda estaria registrado em nome deste. Entre outros bens, o banco seria proprietário do terreno onde está situada a pista de pouso do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Porém, o suposto patrimônio imobiliário do Banco Pelotense - devido aousucapião - está na posse de terceiros.


Por outro lado, as exigências de caráter legal e financeiro para criação e funcionamento de uma instituição financeira mudaram desde então. Nos dias atuais já não é mais possível a existência no Brasil de um banco com uma base meramente municipal. Na década de 1980, numa das tentativas de refundar o Banco Pelotense, o Banco Central exigiu dos eventuais investidores uma caução equivalente a 6,5 milhões de dólares.




História da falência do Banco Pelotense


Marcos Macedo


O título bancário abaixo é de 1920, de nove anos antes da Crise de 29, desencadeada pela quebra da bolsa de valores de Nova York, cujos efeitos se espalharam pelo mundo, atingindo o Brasil. O Banco Pelotense quebrou em 1931


No imaginário popular, a falência do Banco Pelotense é atribuída a uma variedade de causas, que podem ser agrupadas em duas vertentes principais. Na primeira, diz-se que Getúlio Vargas foi o maior responsável pelo fim do banco. Atribuem-lhe vários motivos para deliberadamente ter tramado para fechar o banco: numa versão, seria um ato para vingar o suicídio de seu sogro, Antonio Sarmanho; noutra, seria uma manobra para apoderar-se dos recursos do banco e transferi-los para o recém-criado Banco do Rio Grande do Sul, de propriedade do Estado do RS.

Uma variante dessa versão afirma que o Banco do Rio Grande do Sul devia ao Banco Pelotense e não se dispôs a pagá-lo durante a crise de 1929; outra diz que Getúlio Vargas resolveu que recaíssem sobre os depositantes do Banco Pelotense as despesas da revolução de 1930.

Afirma-se que o Banco do Brasil fornecia dinheiro a todos os bancos que estivessem em crise, mas recusou-se a socorrer o Banco Pelotense. Ainda pode ser ouvido que um ex-diretor do Banco Pelotense, que foi dirigir o Banco do Rio Grande do Sul, levou informações de cocheira e tramou pela destruição do banco.

Na segunda vertente, é apontada a excessiva imobilização dos ativos do Banco Pelotense, principalmente em terras, gado e imóveis, notadamente nas agências do banco.

No imaginário dos pelotenses, a primeira vertente, em suas variadas versões, parece ter assumido status de causa determinante principal, e, a segunda, de causa apenas contributiva.

Até que ponto esse imaginário corresponde aos fatos? Obviamente que a personalização das causas facilita o entendimento da questão.

É muito mais fácil explicar de maneira romanesca que alguém liquidou o Banco Pelotense do que procurar causas dentro das regras dos negócios, impessoais, de difícil compreensão para o leigo.


As atividades bancárias são de difícil explicação, e, às vezes, o que parece correto ao senso comum é um grande erro do ponto de vista dos negócios.

As questões econômicas (e as bancárias e monetárias ainda mais), por fugirem ao senso comum, prestam-se a explicações folclóricas - e muitas vezes errôneas. À medida que o tempo passa, apenas a lenda, muito mais simples de entender, sobrevive.

O Banco Pelotense foi fundado como banco local, em Pelotas, em 5 de fevereiro de 1906. Expandiu-se rapidamente pelo RS até 1920.

Para isso contribuíram a fase de expansão monetária e creditícia no Brasil durante a Primeira Guerra Mundial e os empréstimos tomados no exterior por Estados e Municípios. Em 1906, o banco possuía 3.000 contos de réis em depósitos; em 1920, eram 131.000 contos.

Era um banco misto: (a) de depósitos e descontos e (b) de crédito hipotecário. Isso significa que captava seus recursos na forma de depósitos, e emprestava tanto a curto prazo (descontos de títulos e recebíveis com prazos variados de curto prazo) como a longo prazo (crédito hipotecário - imobilizações).


Tecnicamente, os bancos que atuam no crédito hipotecário devem obter seus recursos a prazos que sejam compatíveis com seus empréstimos de longo prazo. Normalmente contam com o suporte dos Estados nacionais para emprestarem com taxas de juros baixas e compatíveis com os empreendimentos de longo prazo.

Também os empréstimos de curto prazo (descontos) devem ser feitos a tomadores que apliquem esses recursos em prazos semelhantes aos dos empréstimos. Ou seja: deve haver um casamento de prazo entre as várias operações: depósitos, empréstimos e aplicação desses empréstimos na atividade produtiva.

Também devem ser adequadas as taxas de juros de captação e empréstimos. No caso dos créditos hipotecários, não havia fontes especiais de recursos a baixas taxas de juros (suportadas ou não por governos).

As taxas de juros de captação (dos depósitos) estavam sujeitas a aumentos em situações de crise de liquidez ou aumento da concorrência entre os bancos (ou as duas coisas ao mesmo tempo), na tentativa de manter ou aumentar a base de depósitos.

As características da economia gaúcha no período não favoreciam a existência de um banco misto. Os depósitos do Banco Pelotense podiam ser sacados a qualquer momento; entretanto, seus empréstimos eram de difícil recolhimento abrupto.


Mesmo os empréstimos de curto prazo o eram de curto prazo apenas nominalmente, pois estavam concentrados na pecuária, atividade que gera esparsa circulação monetária, e na imobilização em terras. Os créditos hipotecários eram ainda menos recolhíveis abruptamente, por sua própria natureza.

O Banco Pelotense tinha assim teoricamente uma tendência a ir bem enquanto os depósitos estivessem crescendo; nos momentos de crise ou estagnação monetária, tinha naturalmente dificuldades para enfrentar diminuição (saques) em seus depósitos, que deveriam ocorrer devido à escassez de moeda.

Obviamente que as fases de diminuição de depósitos bancários não devem ser encaradas como extraordinárias. Crises monetárias são recorrentes na economia, e eram muito comuns na época. Os bancos tem de ser capazes de enfrentar situações adversas como essa.

A teoria econômica da época, denominada de modo genérico como liberalismo, acreditava que a moeda era simples véu que não exercia influência na economia real. Portanto, os governos em geral não se preocupavam em regular a liquidez da economia de acordo com as situações.


Era crença dominante que as crises financeiras se resolviam por si só: a quantidade de poupança existente deveria se ajustar naturalmente às possibilidades de investimento, à medida que a taxa de juros ia caindo. Por causa disso, era tido como boa política econômica que os governos não interviessem nos momentos de crise, para não gerar distorções de longo prazo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o excessivo conservadorismo monetário e financeiro das autoridades amplificou a crise de 1929. Temia-se na época que o banco central, dando liquidez à economia, causasse inflação, mesmo na depressão. O colapso da liquidez foi então realimentado pela quebradeira de bancos, empresas e pessoas.

No Rio Grande do Sul, o positivismo serviu como contrapeso ao liberalismo. O positivismo pregava um intervencionismo conservador: limitação da política "laissez faire, laissez passer" quando fosse proveitoso para o desenvolvimento econômico, sem que isso comprometesse o equilíbrio do orçamento público. Entretanto, a teoria econômica então dominante no mundo e no Brasil era o liberalismo.

O sistema financeiro nacional estava organizado de maneira incipiente na década de 1920. A autoridade monetária agia preferencialmente através de regulamentações sobre os bancos.

Não existia o redesconto. Isto é: em caso de saques abruptos que superassem as reservas de um banco, não havia um banco central a quem recorrer emergencialmente para transformar créditos em moeda.

Os bancos enfrentavam as crises individualmente, e não como sistema. Podiam apelar para outros bancos nos momentos difíceis, mas a ajuda era eventual, provida por bancos que temiam o contágio em crises de pânico ou pelo Banco do Brasil, que atuava parcialmente como autoridade monetária. O socorro pelo redesconto do Banco do Brasil era incerto, sem regras estabelecidas - o Banco Central do Brasil só foi criado em 1964.

O Banco Pelotense não era especialmente lucrativo, por causa de suas receitas rarefeitas (por seu turno decorrentes da baixa taxa de lucratividade da economia pecuária que era a tomadora de empréstimos).

Em caso de necessidade de compensar perdas com empréstimos perdidos em crises existem duas alternativas: capitalização de lucros gerados no negócio bancário nos anos subsequentes ou capitalização através de injeção de capital.

A capitalização de lucros não era uma alternativa viável no caso do Banco Pelotense. Dessa característica decorre que o banco tinha tendência a acumular as perdas de cada crise, não conseguindo compensá-las, a não ser que houvesse in-jeção de capital.

O Banco Pelotense enfrentou uma grande crise em 1921. Essa crise, conhecida como do pós-guerra, teve seu centro nos países europeus, e foi ocasionada pela superação da escassez natural da guerra e do reequilíbrio dos orçamentos governamentais, que puseram fim à fase de prosperidade do pós-guerra. Ocasionou desinflação mundial (queda geral dos preços).

O fim da prosperidade repercutiu no Brasil com menor afluxo de capitais e receitas de exportação, reduzindo assim a liquidez monetária e a atividade econômica. Também no Brasil ocasionou deflação. Nesse período, faliu o Banco Italiano del Uruguay, o que inquietou os depositantes riograndenses.

No Banco Pelotense, a crise materializou-se em saques de depósitos (como seria natural numa crise de liquidez, independente da inquietação dos depositantes). A desinflação comprometeu também a qualidade das garantias dos empréstimos, pois foram afetados os preços dos produtos pecuários e das terras.

Em 1920, os depósitos do Banco Pelotense somavam 147.000 contos; em 1921 diminuíram para 110.000 contos. Em novembro de 1920 o banco ordenou que todas as contas correntes devedoras (até então sem vencimento estipulado ou garantias apropriadas) fossem transformadas em notas promissórias de prazo curto. (Nesse momento suicidou-se Antonio Sarmanho, gerente da filial de São Borja, sogro de Getulio Vargas, que era devedor nessas contas correntes).

Em 1922 a crise mundial estava superada. Os depósitos em 1922 somaram 143.000 contos, voltando ao nível de 1920. Contribuiu para essa recuperação a decisão do governo do Rio Grande do Sul de transformar o Banco Pelotense em agente financeiro do Estado; esse gesto teve a intenção deliberada de fortalecer o banco na crise.

Entretanto, calcula-se que o comprometimento da qualidade das garantias dos empréstimos e as perdas decorrentes de empréstimos sem garantias (as contas correntes devedoras) transformaram-se em prejuízos de 20.000 contos, que foram agrupadas sob a eufemística denominação "contas sem juros".

De 1922 a 1928, as economias mundial e brasileira tiveram uma fase de expansão prolongada, com expansão contínua da liquidez monetária e da atividade econômica. Nesse período, os depósitos do Banco Pelotense cresceram continuamente, de 134.000 contos em 1922 para 282.000 contos em 1928, ano de seu apogeu.

Em setembro de 1928, foi criado pelo Estado do RS o Banco do Rio Grande do Sul. O Banco Pelotense deixou de ser agente financeiro do Estado, função que passou para o Banco do RGS. Na prática, isso significou a transferência de 30.000 contos em depósitos pertencentes ao governo do Banco Pelotense para o Banco do RGS.

Entre junho de 1928 e junho de 1929, o Banco Pelotense sofreu queda de 26.000 contos em seus depósitos, de 282.000 contos para para 256.000 contos. Essa queda corresponde aproximadamente à transferência dos depósitos do governo do RS para o recém criado Banco do RGS. Isto é, não houve nesse período fuga de depósitos de particulares.

Um ano depois, em 1929, a crise mundial propagou-se a partir dos Estados Unidos, gerando crise de liquidez e depressão econômica. No Brasil, a crise de liquidez foi potencializada pela fuga de capitais, facilitada pelo mecanismo da Caixa de Estabilização, criada em 1926 pelo governo Washington Luís.

As reservas de ouro do governo brasileiro, que em 1919 eram de 31.100.000 de libras, desapareceram em sua totalidade em dezembro de 1930. Essa fuga de capitais gerou enorme crise de liquidez no Brasil, que tinha sua base monetária atrelada às reservas de libra existentes na Caixa de Estabilização.


Como era de se esperar, nesse período o Banco Pelotense sofreu nova queda em seus depósitos, de 256.000 contos em junho de 1929 para 222.000 contos em dezembro de 1929.

A diminuição dos depósitos foi de particulares que sacaram suas aplicações. Justamente foi no 3.º trimestre de 1929 que a crise da Caixa de Estabilização brasileira ocorreu abruptamente, até desaparecerem completamente as reservas brasileiras de moeda forte.

O fato de o Banco Pelotense não ser mais agente financeiro do Estado obviamente diminuiu a credibilidade do banco, enfraquecendo-o para a crise que, imprevista, se avizinhava.

Para fazer frente à sangria de 60.000 contos entre setembro de 1928 e dezembro de 1929, o Banco Pelotense conseguiu recolher 51.000 contos em seus descontos. Essa era a parte recuperável abruptamente; o restante dos descontos eram promissórias que perfaziam 72.000 contos, de recuperação mais difícil e duvidosa.

Portanto, a partir de dezembro de 1929, futuras mobilizações para enfrentar saques, se estes prosseguissem, dificilmente poderiam ser feitas internamente.

Em abril de 1930 faliu o Banco Popular do Rio Grande do Sul, o que aumentou a crise de confiança da população.

Durante todo o ano de 1930, o Banco Pelotense teve sangria contínua de seus depósitos, no total de 58.000 contos, até a corrida final ao banco, entre setembro e dezembro de 1930 (em dezembro restavam 164.000 contos em depósitos). Em setembro de 1930 foram suspensas as publicações dos balancetes do banco, o que provavelmente agravou a corrida final.

Para fazer frente a essa nova evasão, já restavam poucas alternativas. O Banco Pelotense conseguiu mobilizar 22.000 contos das promissórias de seus clientes. O restante (37.000 contos) foi fornecido pelo Banco do Brasil, através de redesconto de promissórias. Entre essas promissórias, estavam 20.000 contos de contas correntes negativas recém transformadas em promissórias (de recuperação incerta), especialmente para fim de redesconto.

Em janeiro de 1931 ocorreu o colapso final do Banco Pelotense. No total, entre setembro de 1928 e dezembro de 1930, a evasão de depósitos somou 118.000 de contos.

Em maio de 1931 o governo do RS nomeou uma comissão especial para preparar a liquidação e encampação do Banco Pelotense pelo Banco do Rio Grande do Sul.

A comissão do governo avaliou que havia perdas a cobrir (em empréstimos de difícil recuperação) de 60.000 contos. Esses 60.000 contos deveriam ser cobertos por capitalização de lucros futuros ou injeção de capital novo.

O banco, por seu grande tamanho, número de funcionário e filiais, tinha uma despesa alta, que, na hipótese de continuar a funcionar, já não podia ser coberta pelas receitas.

A crise de 1929 ocasionou deflação, o que prejudicou as garantias dos empréstimos do Banco Pelotense. O banco já tinha mobilizado os créditos de melhor qualidade; os créditos restantes, por natureza os mais duvidosos, foram ainda afetados pela queda do valor das eventuais garantias, quando existiam garantias.

Havia exaurido sua capacidade de mobilização imediata de ativos para fazer frente aos saques. Já usara o redesconto do Banco do Brasil, que se mostrara insuficiente.

Dificilmente poderia se reerguer contando com capitalização de lucros futuros, seja por causa do abalo de credibilidade, seja pelos altos prejuízos a compensar.

Restava a solução de injeção de capital. Como as perdas a cobrir eram consideráveis, numa situação de crise como a que vigorava, abalada a credibilidade do banco, era impossível recorrer à emissão de ações ao público.

A solução encontrada (liquidação e encampação) não foi uma escolha, mas sim a única alternativa viável que restou nas circunstâncias em que se encontrava o Banco Pelotense.

Pode-se concluir que:

(a) A sangria de depósitos de particulares do Banco Pelotense ocorreu em fase que coincide com a crise de liquidez brasileira e mundial, o que era de se esperar que acontecesse. Os saques durante a crise excederam a capacidade de mobilização do banco, que ainda contou com ajuda do Banco do Brasil.


(b) A retirada dos depósitos do governo do RS para o recém criado Banco do Rio Grande do Sul ocorreu em fase em que a economia nacional ia bem, e não se podia prever a crise que ocorreria dali a um ano. Portanto não pode ser considerada como tentativa deliberada de destruir o Banco Pelotense em um momento difícil, que não ocorria. Pelo contrário, os recursos foram retirados quando o banco estava em seu apogeu.


(c) Obviamente, a retirada dos recursos do governo do RS enfraqueceu a posição do Banco Pelotense, mas era natural que os recursos do Estado fossem depositados em seu próprio banco recém criado. 


Localização: Rua Marechal Floriano, 51

Construção : 1916

     Em 1906, o Banco Pelotense começa a funcionar, inicialmente à rua Andrade Neves nº 169. Foi fundado em reunião realizada na "Praça do Comércio", por convocação dos Incorporadores Dr. Joaquim Augusto Assumpção, Barão do Arroio Grande, Coronel Alberto Rosa, Plotino Amaro Duarte e Eduardo Siqueira. Em 1910, muda-se para o pavimento térreo do Clube Comercial. Através dos arquitetos construtores Peres, Monteiro & Cia, o Banco Pelotense inaugura sua sede própria em 1916.

     Decorridos 16 anos de sua inauguração, contava o Banco com 69 agências espalhadas pelo Brasil: 24 no estado e as demais nos outros estados. É difícil de entender como um banco que desfrutava de tão grande influência nas rodas econômicas do país, teve uma quebra inesperada. Um mistério interpretado pelos historiadores como uma barganha política, efeito de vingança de pessoa poderosa. O fechamento ocorreu em 05 de janeiro de 1931. 

     O edifício foi projetado para abrigar as funções administrativas, atendimento aos clientes e residência do gerente e funcionários. Formalmente de linhas ecléticas, a obra segue uma composição bipartida: o subsolo e o andar térreo correspondem à base, revestida de ornamentos; o primeiro e segundo pavimentos, correspondem ao corpo e são tratados como uma unidade, recuados em relação ao térreo e unidos através de colunas de ordem monumental. No coroamento, cobertura com mansarda. Ladeando a porta principal, duas cabeças de leão apoiam a sacada e protegem os medalhões onde se lia o nome do Banco. Com o fechamento do banco em 1931, o Governo do Estado incorporou o seu patrimônio, inclusive a matriz, hoje agência do Banrisul. 

Pelotas - RS

Os charqueadores e grandes comerciantes depositavam seu dinheiro no Banco Pelotense, que chegou a ser um dos três maiores do país. Mas a roda da fortuna é caprichosa. Após a guerra, os frigoríficos se impuseram, o charque como base alimentar virou coisa do passado. O Banco Pelotense, após a vitoriosa Revolução de 1930, viu suas portas serem fechadas, para abrirem logo em seguida com o nome de Banco do Rio Grande do Sul.

Nossa família esta ligada a história deste banco. Estou levantando informações sobre esta ligação e trarei mais depois.


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